Estou vindo do Facebook. Estive lá pelo menos meia hora e não publiquei, compartilhei nem sequer comentei nada! Só fui rolando o mouse e assistindo aqui e ali um vídeo, li as headlines e comentários aleatoriamente. Há dias em que estou assim, com o espírito amofinado, de forma que não me trevo a interferir na opinião ou na sensibilidade de ninguém. Deixo as coisas apresentarem-se como são. O máximo que faço é analisá-las e deixá-las ser. Ah! antes que me esqueça, a palavra espírito que usei acima, não está aí em sentido religioso. Senão que a empreguei como a empregou o filósofo Nietzsche em seus escritos, ou seja, o meu espírito é o que há de original em mim, é o que me separa do resto do mundo e, ao mesmo tempo, o que me mantém em contato com ele.
Pois bem, mas falava do facebook. Observando as postagens assim, como vêm, uma enfieirada à outra, parecem um caos de informações, provocações, sugestões, apelos, declarações, homenagens, exibições, recordações e etc., no entanto podemos rastrear alguns padrões e até tipificá-los.
O primeiro tipo vou chamá-lo de narcisista ou egocêntrico. É formado em sua maioria pelos adolescentes, embora haja muitos adultos enquadrados nele. Aqui o foco é mostrar-se, é chamar a atenção para si, portanto está recheado de selfs e de frases bonitas. Há um grande esforço para mostrar-se original nas ideias e na linguagem.
Depois temos o tipo politizado. São os que mais postam vídeos. O foco é veicular e formar opiniões. O grande desafio desse grupo é manter-se atualizado em relação ao cenário político, pois o acúmulo de acontecimentos dos últimos tempos é de deixar qualquer um atordoado, de modo que, o que se disse sobre política pela manhã, já é osso branco à tarde.
Temos ainda um grupo que vou chamá-los de filantropos ou humanistas. Estes tentam mostrar o lado bom e o lado ruim da humanidade. Geralmente postam vídeos que nos chocam ou nos sensibilizam. É a criança ou o animal maltratado; é alguém distribuindo comida para as crianças famintas na África; é a solidariedade com os refugiados e etc.
Finalmente, temos os que tratam de assuntos religiosos, quer a favor ou contra. Os religiosos, portanto, aqueles a favor, vou chamá-los de o grupo do amém. Isso porque tudo que postam pedem para você comentar com um amém. Às vezes vem até uma ameaçazinha de castigo se você não comentar. Já os que são contra ou que criticam os religiosos, geralmente os acusam de charlatões e tentam mostrar por meio de vídeos e comentários, a suposta falsidade dos milagres e das boas intenções dos pastores em relação aos fies.
Bem, certamente esses tipos que apontei aqui não são formados por grupos totalmente separados. Há muitos que podem pertencer a mais de um tipo e certamente há tipos que nem apontei aqui. Quero deixar claro que não quis fazer nem um julgamento de valor em relação a nenhum tipo analisado, pois como já disse, hoje estou com gosto só para analisar e deixar estar.
