Todos nós, professores, sabemos que iniciamos sempre o ano letivo com as chamadas semanas pedagógicas. Muitos professores não gostam. Dizem que não há nada de novo, que já sabem de cor o conteúdo das tais semanas, que é só enrolação, etc. Quanto a mim, o ponto ruim delas está no fato de que com elas as férias acabam e vou ter que me reestruturar para começar a luta de novo! No entanto, sem entrar no mérito das críticas acima, temos que admitir que este é o único momento em que todos da rede escolar nos encontramos,conversamos e acabamos, até, às vezes, inconscientemente, trocando ideias e experiências didáticas e pedagógicas. Falamos entre nós de nossas angústias e dificuldades intra e extra classe e contamos nossas projeções para o ano letivo que inicia. Para mim, isso já é um grande legado de tais semanas, que às vezes não chega a ser mesmo uma semana, mas três ou quatro dias.
O assunto das semanas pedagógicas traz, evidentemente, a questão da formação dos professores. Essa semana, Cláudia Costin, uma colunista da Folha de São Paulo, postou os resultados de uma palestra de um professor de Havard, Thomas Kane, na qual o dito professor afirmava que "parte dos recursos investidos em formação continuada de professores, em vários países, é desperdiçada". Segundo ele, investimentos em cursos motivacionais, mestrados, e doutorados, não estariam causando impacto nenhum na melhoria da qualidade do ensino. Ele aponta, no entanto, três ações que, de forma mais eficiente poderiam, segundo ele, contribuir para melhorar a qualidade do ensino público. Seriam elas: primeiro, mentoria de professores por colegas mais experientes; segundo, um trabalho colaborativo entre docentes de uma mesma escola; e a terceira ação seria um bom uso do estágio probatório como complementação da formação universitária do professor.
Para falar a verdade, achei a ideia de um professor mais velho tutoriar professores novos muito interessante! Porque, veja bem, ensinar não é só uma questão de conhecer os conteúdos e as didáticas de aplicação, mas existe uma atividade relacional e de interação com os alunos que também é importante e que só a experiência de muito tempo de trabalho vai capacitar o professor nessa tarefa. Os professores novos sofrem muito com isso e se sentem totalmente desamparados em seu trabalho quando são simplesmente "jogados" em uma sala sem o apoio de alguém experiente. Quem já teve um estagiário em sua sala, sabe do que estou falando. Nota-se que a aula dele está planejada nos mínimos detalhes, mas isso não resolve o problema completamente. Sem um bom relacionamento com os alunos, o professor acaba por desenvolver mecanismos de defesa como o autoritarismo e o distanciamento que são altamente prejudiciais à aprendizagem. Ou pode acontecer o que é pior ainda, o professor, frustrado por não se relacionar bem com a turma desenvolver uma baixa auto-estima que o fará detestar a sala de aula e, como resultado, deixar o magistério, ou continuar nele sem gosto nenhum, simplesmente por falta de opção. Então, que tal professores com vinte ou vinte e cinco anos de magistério, serem renumerados para completar sua carreira docente ajudando os jovens professores?
A segunda ação formadora de professores apontada por Thomas Kane também é pertinente porque, vejam só, nenhum professor, diretor ou coordenador pedagógico, por mais eficiente que seja seu trabalho, vai mudar sozinho a realidade de sua escola. É necessário, portanto, o trabalho de colaboração entre os professores. Nós professores, ao invés de, simplesmente taxarmos nossas salas e nossos alunos de serem assim ou assado, deveríamos, planejar, estudar e pesquisar de forma mais cientifica sobre os problemas reais da escola. Nossos alunos deveriam ser matéria prima para nossas pesquisas pedagógicas a fim de aperfeiçoarmos nosso trabalho com eles. Um grupo de professores que também fossem um grupo de pesquisadores, trabalhando em colaboração um com o outro para entender cada vez melhor os problemas e as soluções mais adequadas para sua escola.
Quanto ao estágio probatório, nós sabemos a que ele se resume. Na rede estadual, por exemplo, consiste apenas em uma questionário que o diretor preenche dando uma nota ao professor recém-admitido. Enquanto que ele deveria constituir-se em um itinerário formativo claro e personalizado,como diz Thomas Kane, no qual o professor recebesse uma capacitação estruturada naquilo em que ele realmente vai precisar para para um bom exercício do seu magistério.

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