Literatura brejense: Para quê e para quem?
Há alguns anos estava eu em São Luis e ao passar por um Sebo chamado Educare (sebo é um local onde, entre outras coisas, se revendem livros velhos e usados), fiquei surpreso e contente ao ver o livro de um escritor brejense. O livro era Meus Ais de Eugênio de Freitas. Comprei-o e, ao voltar, li-o no ônibus. É um livro de trovas e sonetos. Alguns deles, simples e singelos nas imagens e motivos, outros, mais elaborados nos conteúdos e imagens que sugerem. Percebi o enorme esforço do autor em imitar as formas requeridas pelos gêneros Literários. O Livro é de 1973, ano de sua publicação, e o exemplar que encontrei no sebo, está até autografado pelo autor para Edmilson José da Silva, a quem ele chama de "prezado colega" e a quem , evidentemente, eu não tenho a menor ideia de quem seja ou quem seria. De qualquer maneira, o "prezado colega" acabou por descartar o livro autografado em um Sebo para minha alegria e satisfação!
Como professor, no entanto, fico pensando se a literatura produzida por autores brejenses não deveria ter um espaço na grade curricular de nossos jovens e adolescentes. Porque houve e há, sim, escritores brejenses! Nós queremos que nossos alunos sejam leitores e até escritores, mas, o que é um escritor para tal aluno? Certamente, alguém que nasceu no século XIX no Rio de Janeiro e que escreveu livros que o dito aluno precisa, no máximo, decorar o título para passar na prova. Isso é o que é um escritor para nossos jovens! Será que não seria um estímulo decisivo se o escritor fosse alguém mais próximo, e por isso mesmo, mais real? Não seria bom que nossos jovens pudessem ler livros de pessoas com as quais eles cruzam nas ruas ou de quem eles já tivessem assistido uma palestra?
É verdade que não devemos prescindir dos autores e livros clássicos nacionais e até internacionais. É muita pobreza não conhecer Machado de Assis ou Graciliano Ramos. Não ler Crime e Castigo de Dostiévski ou A Boa Terra de Pearl Buck é uma pena! Mas será que, para um brejense, não ler e nem mesmo conhecer Eugênio de Freitas ou Tobias Pinheiro, também não é?
Alguém pode dizer: "Professor, mas a literatura brejense é quase nada! Não tem expressividade nem projeção nenhuma!" E eu lhe pergunto: Você já leu? Todo prestígio de uma literatura depende dos leitores. Se ninguém houvesse lido os livros de Machado de Assis, o que seria da literatura Machadiana? Talvez nem existisse! Toda literatura vive do leitor, da crítica e do trabalho editorial, sem isso, qualquer literatura míngua. Onde estão os leitores, os críticos e os projetos editoriais da literatura brejense? Se não há nenhum desses três aspectos, como vamos querer uma literatura próspera? E, se não lemos nem a literatura minguada que existe, para que quereríamos uma literatura abundante? Para encher estantes?
Verdade é que nossos jovens e adolescentes não conseguem avançar nos estudos por falta de leitura. Perdem seu precioso tempo fazendo atividades com pouco significado para eles e o país gasta dinheiro inutilmente sustentando um sistema escolar infrutífero.
By: Pedro de Sousa Portela.
Alguém pode dizer: "Professor, mas a literatura brejense é quase nada! Não tem expressividade nem projeção nenhuma!" E eu lhe pergunto: Você já leu? Todo prestígio de uma literatura depende dos leitores. Se ninguém houvesse lido os livros de Machado de Assis, o que seria da literatura Machadiana? Talvez nem existisse! Toda literatura vive do leitor, da crítica e do trabalho editorial, sem isso, qualquer literatura míngua. Onde estão os leitores, os críticos e os projetos editoriais da literatura brejense? Se não há nenhum desses três aspectos, como vamos querer uma literatura próspera? E, se não lemos nem a literatura minguada que existe, para que quereríamos uma literatura abundante? Para encher estantes?
Verdade é que nossos jovens e adolescentes não conseguem avançar nos estudos por falta de leitura. Perdem seu precioso tempo fazendo atividades com pouco significado para eles e o país gasta dinheiro inutilmente sustentando um sistema escolar infrutífero.
By: Pedro de Sousa Portela.

Concordo Professor,e confeço-lhe meu desprazer em ver que a leitura em Brejo é quase uma realidade à anos luz de nossas vivências. Sou jovem ,estudante de letras e o triste é só ter descoberto este facinante mundo agora e gostaria de fazer parte de algum progeto que despertasse nossos conterneos para este novo horizonte, sendo assim até um modo de contrariar a realidade da maioria!
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